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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Tradição e Liberdade

As transformações culturais sofridas através da história humana mostram como os povos se comportam de maneiras diversas e sempre as leis morais que tentam “regular” as transformações comportamentais que ocorrem no interior dessas sociedades não acompanham os acontecimentos.
Pelo menos é assim que acontece no século XXI, com a globalização a troca de informações é enorme e o choque de costumes se torna inevitável, os ideais das novas gerações vem mudando muito em comparação as anteriores, o que acontecia com menos intensidade nos séculos passados, por esse motivo vários países tentam se proteger dessa globalização tentando “isolar” sua cultura do resto do mundo.
Essa tentativa pode ser explicada de maneira pragmática, se uma cultura não sofre influências externas seus valores morais têm mais estabilidade, alguns países orientais e árabes usam esse método para se proteger da influência da mídia de grandes potências do ocidente.(não cabe aqui, tentar classificar essa ação como certa ou errada)
A questão básica é: até que ponto esse protecionismo cultural é útil ou não à sociedade. É Inegável que em culturas mais tradicionais como a Japonesa, os índices de violência são muito menores e a educação é excepcional
Um dos principais aspectos dessa tradição japonesa é sem duvida alguma a Honra.
A Honra significa sobre tudo um sentimento de apego a um grupo de valores considerados supremos, um desses valores é “linhagem”, se ao realizamos uma ação temos em vista que com ela representamos não só a nós mesmo, mas também a todos os nossos antepassados com certeza a responsabilidade sobre tais ações aumentam e muito.
Um indício dessa Honra ligada a linhagem sanguínea está na maneira como as pessoas referem-se umas as outras no Japão, normalmente usam seus sobrenomes, a primeira vista pode parecer trivial, no entanto quando o individuo já não é representado socialmente como Shinji(nome) mas Uharara (sobrenome) fica claro que não está em jogo mais o individual, mas sim, o coletivo de toda a família
Podemos nós perguntar, legal, mas e daí?
Daí que, aqui muitas das noções de orgulho já se foram não temos um orgulho familiar quanto mais um nacional, paremos por um instante e reflitamos se é até possível que algum dia haja no Brasil uma noção de honra tão forte como no Japão.
A meu ver tudo indica que não (pelo menos em um futuro próximo), as culturas que formaram nosso país foram diversas, dos vários povos indígenas que aqui habitavam boa parte deles foi dizimada, também há os negros que atravessaram o atlântico para servirem como escravos aos europeus, esses que por sua vez se achavam no direito de tomar posse de outro povo e até mesmo de uma “nova” terra.
O Brasil é sem duvida um dos países onde a miscigenação das etnias aconteceu com maior sucesso, porém que consequências tivemos com isso? Somos Silvas, Souzas, Ferreiras e Cavalcantes, temos tanto sobrenomes, porém nenhum diz ao certo de onde viemos, uma conseqüência que pode ser positiva é a “liberdade” que essa obscuridade genealógica nós dá. Não temos o peso das gerações passadas em nossos ombros, já que esse orgulho não existe mais em muitas das nossas famílias.
No Japão são muitos os casos de suicídio causados pela enorme pressão que pais colocam em seus filhos e ambas as partes saem feridas, entretanto em nossas terras vemos exatamente o inverso, sem essa tradição as famílias são cridas sem nenhuma expectativa, boa parte delas enfrentam os problemas com aquele velho “jeitinho brasileiro” e empurrão o futuro com a barriga, mas até que ponto essa incerteza e essa irresponsabilidade são benéficas?
Coloquei aqui exemplos de dois países, um com uma “Moral rígida” outro com uma “Moral Frouxa”, será que um dia encontraremos o meio termo entre o bem estar coletivo e a “liberdade individual”? 

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