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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Morfo - Amorfo



Digo de novo a palavra Novo
Para significar aquilo que sinto agora
No entanto
Quando acabo de dizer Agora
 O Agora já se foi...

E não há no mundo palavra mais  velha que a palavra Novo
Se tudo o que vejo muda quando termino de dizer a respeito
Tudo que sai de meus lábios é mentira
As palavras não conseguem segurar o tempo

E quando se diz a palavra "inspiração" é por que ela já se foi
Assim sendo um poeta não fica inspirado
Ficar é coisa do que permanece
Poetas poetam
E quando sentem não sentem isso  ou aquilo
O que sentem também não permanece

Mas então oque a poesia diz?
 E porque ouvimos mesmo assim tamanhas mentiras?
Porque ouvimos?
Porque?

Os cachorros nunca mentiram
Também pudera
Se não inventaram a verdade

Todo aquele que mente
Mente porque vê
Formas ou o que seja

Não há como mentir sobre o que se sente
Por que quando se sente, só se sente.
Mentimos para tentar dizer o indizível
Mentimos para dizer aquilo que já não sentimos mais

Se pudemos  sentir o que os outros sentem
 As palavras não seriam inventadas

Não seriam inventadas as palavras:
Palavra, invento, não
Assim como todas as palavras
A palavra: Todo
E nem o verbo precisaria ser palavreado

Talvez inventamos substantivos
Porque Precisamos de Coisas
E ao precisar precisamos segurar o in-segurável  
Precisamos inventar o segurar
Precisamos precisar o impreciso
E assim inventamos
A precisam e a imprecisão (in-precisam)

  



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