Dizem que os poetas são místicos
Esses que dizem isto
Esquecem-se dos rituais diários
Dos rituais frequentes
Dos rituais normativos
Temos hora para tudo
Para acordar, tomar café,
Trabalhar, fazer sexo
Jantar, dormir
Enfim temos hora até pra esquecer
De que pra tudo tem
uma hora
E nessa ritualdade diária
Tal qual sacerdotes
Seguimos os ritos
Nos perdemos de nós
mesmos
E quando o poeta encontra um pouco de real
Por de baixo da ilusão
Um real que não está embaixo de nada
Afinal se a ilusão é ilusória
O embaixo não existe
E quando um pouco de sanidade surge
Por de baixo da loucura
Os ritualísticos gritam
Eis! o poeta louco
Eis! o poeta místico
No fim das contas esquecem-se
Que a separação entre místico e real
Já é um puta misticismo
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